Seminário Conscientização sobre Lúpus Eritematoso Sistêmico – 2014

Destacado

Lúpus Eritematoso Sistêmico, doença autoimune, crônica, incurável e não contagiosa. Acomete homens e mulheres, em cada 10 pessoas com Lúpus, 09 são mulheres. Estima-se que o Brasil tenha 200 mil com lúpus. Lúpus é uma doença de difícil tratamento, onde a informação, diagnóstico precoce e bom relacionamento entre médico e paciente, contribuem para a melhor qualidade de vida da pessoa convivendo com Lúpus.

Buscando levar informação e esclarecimentos sobre o Lúpus, convidamos à todos para participar deste seminário.

Temas das Palestras:

Lúpus Eritematoso Sistêmico – Médico Reumatologista Dr. Ari Radu Halpern Direitos do Paciente Lúpica – Advogado Sanitarista Dr. Tiago Farina Matos
Participação gratuita mediante inscrição
Data: 06 de Setembro de 2014 às 13 horas.
Local: Câmara Municipal de Vereadores de São Paulo
Endereço: Viaduto Jacareí, 100 – São Paulo/SP Metrô Anganhabaú -
Estacionamento Gratuito no Local.
Inscreva-se preenchendo o formulário abaixo, após preencher click em enviar:

Vivência no Centro de Infusão

Padrão das Salas de Infusão, de boa parte dos centros de infusão no Brasil.

Várias cadeiras dispostas lado a lado, algumas televisões modernas no suporte de parede sintonizadas em programas diários. Em cada cadeira um paciente, cada paciente recebendo um tipo diferente de medicamento e sentindo efeitos colaterais que divergem de intensidade conforme a fisiologia de cada um. Enfermeiras circulando entre as cadeiras, sempre vigilantes, observando atentamente cada paciente. Esse é um ambiente comum das salas de infusão de medicamentos endovenosos (chamados na artrite reumatoide de medicamentos biológicos infusionais).

As minhas 3 infusões foram feitas em dois lugares diferentes, no entanto, em ambos os lugares a infraestrutura do local e o treinamento da equipe (médicos e enfermeiros), são de fato nota 10, eficientes, atentos, experientes e capacitados, mas em nenhum desses lugares tem uma regra de convivência, por isso resolvi escrever este post.

Sala de infusão não é a sala da sua casa

Em nenhuma das duas salas que fiz infusão, eu vi o ícone “silêncio”, as enfermeiras sempre tagarelantes e os pacientes, ah, os pacientes mesmo envoltos na ansiedade e medo que levamos junto para a cadeira de infusão, alguns, em longos e altos bate-papos, que não sabemos se o paciente está numa sala de infusão ou numa mesa de bar, na minha última infusão, tive um colega de cadeira que conseguiu falar as 06 horas e meia que estive infundindo, e as duas simpáticas enfermeiras, sempre que voltavam para a mesa, colocavam em dia seus assuntos pessoais, juro, que não tinha interesse em ouvi-los, mas era impossível, porque esse papo também durou 6 horas e meia.

Quando se está em uma cadeira de infusão, cada minuto parece horas, é um lugar onde as horas não passam. Mas que cada minuto tem seus efeitos colaterais, nem sempre nós pacientes estamos sentados ali apenas observando entrar em nossa veia um líquido, esse líquido se trata de medicamentos que trazem efeitos colaterais imediatos que ocorrem ainda durante a infusão, e nem todas as pessoas, gostam de passar mal ouvindo pessoas conversarem e televisão com o som alto. Ouvir uma televisão, quando não queremos ouvir nada é cruel.

Acredito que deveriam pensar em uma forma de distração individualizada, esse lance de várias TVs em pequenos espaços, com som alto, não faz parte da humanização, pelo menos na minha ótica de paciente que fica ali 6 horas e meia ouvindo uma TV que não escolhi ver e passando mal, um mal que preciso passar para ficar bem.

Fico com a reflexão, do que adianta tanta infraestrutura e equipe bem treinada, se não se atentam aos detalhes simples que fazem a qualidade do atendimento ficar comprometida.

Vale a pena pensar em “regras de convivência na sala de infusão” válidas para enfermeiros, pacientes e televisões.

Segundo Ciclo – Rituxumabe

Iniciei o Rituximabe “Mabthera” em fevereiro/2014, este medicamento é feito por etapas chamadas de “ciclos”, o meu ciclo é programado de 6 em 6 meses, cada ciclo tem duas doses que são administradas de 15 em 15 dias.

A infusão do primeiro ciclo foi cheia de efeitos colaterais chatinhos e confesso que estava apreensiva para este segundo ciclo. Recebi a primeira dose deste ciclo no dia  25 de Agosto, uma infusão de 6 horas e meia, com medicamentos pré infusionais (benadryl, metilpredinisona e dipirona), durante a infusão bate aquele sono irresistível e um discreto desconforto na garganta, mas passou logo.

Os efeito colaterais pós infusão foram discretos, apenas náuseas, sonolência e uma fadiga que durou até o sexto dia pós infusão. A próxima dose está programada para 08 de setembro/2014.

Da infusão fiz repouso da atividade física por 1 semana, ontem já pude retornar para a acadêmia sem a interferência da fadiga. Realmente é fato, o segundo ciclo é mais leve e que assim seja os próximos ciclos.

Sobre a infusão de medicamentos biológicos

Muitas pessoas me escreveram nos últimos dias perguntando o que é a infusão. Os medicamentos biológicos para artrite reumatoide, tem duas vias de administração ambas são injetáveis:

Subcutânea (injeção como de insulina, agulha pequena), feitas pelo próprio paciente em sua residência.

Endovenosa: feitos na veia, através de diluição em soro e infundido em bombas de infusão para devido controle do tempo e gotejamento, as infusões são realizadas em clinica de infusão, hospitais e ambulatórios apropriados.

Ambos tipos de medicamentos são fornecidos pelos Planos de Saúde e pelo SUS.

Aninha – “A Menina e o Lúpus”

Ana GeAninha-depoimentoórgia, 33 anos, casada, não tenho filhos sou supervisora comercial na Companhia de Água e Esgoto do Ceará, eu amo ir à praia (fico na sombra) a doença não me permite ir a baladas (me canso fácil). Escrevo o Blog Boneca de Porcelana e a Fanpage “A Menina e o Lúpus”.

Meu diagnóstico foi errado (febre reumática) eu tinha 15 para 16 anos e só dois anos depois ( e sessenta e quatro injeções de benzetacyl) fui diagnosticada corretamente, o sintoma mais facilmente visível em mim eram a Síndrome de Raynauld (apesar de aqui – Fortaleza, nunca fazer frio)  o rash malar e as dores nas articulações. Engravidei duas vezes e perdi os meus bebês. Hoje minha maior limitação é a minha bursite nos quadris. Já tomei, metrotrexato, azatioprina, ciclosporina, reuquinol,sempre tomei e tomo prednisona, fiz pulsoterapia com metil prednisona 1g por 4 anos e hoje tomo micofenolato de mofetila.

O Lúpus na minha vida
Eu cresci junto com ele, e posso dizer que eu sou mais forte, mais doce e mais solidária por causa da doença.
A cura é o meu sonho.

Já pensei em desistir, por um momento perdi a vontade de viver.Mas só durou 5 minutos e passou, supero a cada recaída.

Uma frase que descreve o lúpus na minha vida....

……”Não sabe se é boa porque apanha, ou se apanha por que é boa. Se você está descobrindo o lúpus agora, não se desespere, é possível conviver em harmonia com o lúpus”… Não se desespere.

Conheça o meu blog: www.porcelanamenina.blogspot.com.br/

Blog-aninha

Aline Vieira Damascena

Convivendo com LúpusSou, Aline Vieira Damascena, tenho 25 anos, moro em Itamonte, Sul de Minas Gerais, sou casada e infelizmente não tenho filhos, pois perdi minha princesa há 3 anos quando estava gravida de 6 meses, no momento estou em casa sem trabalhar, eu era secretaria, porém o local onde eu trabalhava tinha muita claridade, escolhi ficar em casa e cuidar de minha saúde.

Quando eu tinha 16 anos minha irmã descobriu que tinha lúpus, eu então, com o processo de bolhas em meu corpo, fiz exames e descobrimos que eu também tenho Lúpus, já faz 9 anos, não tive dificuldade para descobrir o lúpus, como minha irmã tinha sido diagnosticada então colhemos os exames específicos para a descoberta.

Antes de eu engravidar já tinha 4 anos que meu lúpus estava dormindo, e depois que perdi ele veio com força total, tive Nefrite Lúpica, Pneumonite Lúpica e ainda estou controlando uma Anemia Hemolítica, estamos em processo de desmame do corticoide mais cheguei, a tomar 60 mg por dia hoje estou com 5 mg, hoje tomo prednisona 5 mg, azatioprina 100 mg, cloroquina 400 mg, ácido fólico 6 vezes por semana e e alguns medicamentos para dor, quando tenho dor forte.

Não posso andar muito pois me canso, gostaria de viver como uma pessoa normal, mais muitos não entendem que não consigo fazer muitas coisas. Minha medicação consegui pelo governo, minhas consultas é a prefeitura da cidade onde eu moro que paga.

Já pensei muitas vezes em desistir mais meu Deus e as pessoas que estão ao meu lado não me deixam cair, continuo por Deus e por eles.

Uma frase que eu tomo como lição sobre o Lúpus é “O que pensamos que é impossível pra Deus é possível”.

Participe do “II Seminário de Conscientização sobre Lúpus”, que acontece neste sábado, 06 de Setembro de 2014 às 13 horas, em São Paulo. http://www.artritereumatoide.blog.br/2014/08/18/seminario-conscientizacao-sobre-lupus-eritematoso-sistemico-2014/

Pacientes com de artrite ficam sem assistência; tratamento é pelo SUS, mas não chega a quem precisa

Depois de penar por 11 anos em clínicas ortopédicas, a  administradora de empresas Márcia Estevão (nome fictício usado pela fonte que está enfrentando uma batalha judicial pela assistência) descobriu ser portadora de artrite reumatoide, uma doença de caráter autoimune, sem causas conhecidas, que é mais frequente em mulheres entre 30 e 50 anos, mas  que também afeta homens e crianças.
Desde então, Márcia vem brigando para conseguir receber as medicações de alto custo disponibilizadas pelo Ministério da Saúde e, há cerca de um mês, ingressou na luta para implantação da Associação Baiana de Assistência ao Paciente Reumático (Abapre), que busca garantir o atendimento para pacientes com lúpus, artrite reumatoide, psoríase, espondilite, entre outras doenças contempladas pelo Programa Nacional de Medicação de Alto Custo, implantado no Brasil desde 2007.”Essa foi a forma que encontramos de poder ter força para garantir um direito não por meio de liminares individuais, mas por uma conquista permanente”, completa.
A medicação disponibilizada gratuitamente pelo SUS é o que existe de mais moderno no tratamento da doença, mas na Bahia, o maior problema reside no fato de que esses remédios não  chegam aos centros de referência baianos e o único espaço que atende aos casos mais graves – o Hospital Universitário Edgard Santos (Clínicas) só conta com oito leitos para o atendimento, inviabilizando a inclusão de novos pacientes.

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Incapacidade
Se não consegue promover a cura, os tratamentos com medicamentos imunobiológicos  conseguem garantir o controle da doença, administrando o avanço das inflamações, evitando a incapacidade física e restabelecendo a qualidade de vida.
Para a médica Mônica Martinelli, responsável pelo Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas (Hupes/Ufba), há cerca de cinco meses estão em falta tanto os medicamentos orais, à base de corticoides, quanto os de primeira linha do tratamento, os imunobiológicos. “Essa situação é terrível porque pacientes que já estavam com a doença sob controle voltam a sofrer com a incapacidade funcional e a baixa de qualidade de vida”, pontua. Para a médica, o problema foi que o Estado não se preparou adequadamente para colocar o programa em funcionamento, garantindo tratamento.
“A aplicação dos imunobiológicos conta com apenas oito leitos para toda a Bahia, hoje feita no Hospital das Clínicas, e a descentralização do programa com a capacitação de equipes na Dires do interior do estado não foi feita até agora”, completa a médica, ressaltando que o problema não é nacional, pois os outros estados da federação não contam com crise de desabastecimento de medicação.

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Responsabilidades
 
Mônica Martinelli explica que a aplicação dos imunobiológicos é feita como uma quimioterapia e necessita de profissionais especializados e leitos para que o paciente possa receber a medicação. “O programa precisa ser ampliado para outros hospitais e outros locais no interior do estado”, defende a médica.
Procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual de Saúde(Sesab), inicialmente, afirmou que o problema era da própria Universidade Federal da Bahia. Questionada sobre a responsabilidade, a universidade, através de nota emitida pela assessoria do Hospital das Clínicas, afirmou que a instituição apenas cede um espaço para o governo do estado, sem ter gerência sobre a quantidade de pessoas atendidas ou de medicamentos fornecidos. O comunicado também pontua que a situação já foi sinalizada para a administração estadual, mas que nenhuma postura foi tomada desde então.
Por meio da assessoria de comunicação, a Sesab garante que está discutindo a abertura de um novo espaço em outro hospital.
De acordo com o médico e um dos membros da Sociedade Brasileira de Reumatologia Alexandre Ibrahim, a artrite reumatoide é uma doença crônica que acomete as articulações e que pode causar deformidades físicas e incapacidade funcional até para atividades rotineiras, como fechar o botão de uma blusa. “A doença é responsável por 22% de todas as mortes relacionadas a artrites e demais problemas reumáticos”, diz, ressaltando que o problema evolui progressivamente, levando, com o passar do tempo, a uma grave incapacidade articular.
O médico reforça o fato de que, embora não haja causas conhecidas, a medicina sabe que predisposição genética e fatores ambientais colaboram para a inflamação e a consequente destruição da cartilagem, seguida do osso. “O tratamento medicamentoso tenta barrar as inflamações, sejam as hormonais, que são os corticoides, ou os imunomoduladores que agem diretamente na resposta imunológica e, que, geralmente são associados aos remédios anti-inflamatórios.
Antes do surgimento dos medicamentos biológicos, o tratamento padrão para artrite reumatoide incluía medicamentos corticoides, que podem acelerar a perda de densidade mineral nos ossos. Além disso, a dor e a incapacitação funcional de algumas articulações podem resultar em inatividade, aumentando  o risco de osteoporose.
Medicação de ponta: Novidades estão no SUS e prometem ampliar qualidade de vida

A análise dos dados de pacientes com artrite reumatoide (AR) demonstrou que 19% dos pacientes tratados com Humira (primeiro anticorpo monoclonal totalmente humano) e metotrexato atingiram simultaneamente as três metas de tratamento em um ano.
A remissão clínica (falta de sinais e sintomas causados pela inflamação provocada pela doença) deve ser a principal meta de tratamento, segundo as recomendações de tratamento estabelecidas pela Sociedade Americana de Reumatologia e pela Liga Europeia Contra Reumatismo. Para pacientes com a doença já estabelecida, ambas as entidades recomendam considerar a baixa atividade da doença como uma medida alternativa.
Em 2015, o SUS deve disponibilizar também o abatacepte subcutâneo, que pode ser aplicado semanalmente pelo próprio paciente em casa.
Fonte: Correio 24 horas.

 

Lúpus Eritematoso Sistêmico – sinais e sintomas

downloadLúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune de causa ainda desconhecida que pode afetar a pele, articulações, rins, pulmões, sistema nervoso e vários outros órgãos do corpo. Uma doença autoimune é aquela onde o sistema imunológico equivocadamente passa a produzir anticorpos contra estruturas do nosso próprio corpo. São chamados de auto-anticorpos.

É importante frisarmos que os pacientes com lúpus não necessariamente apresentam todos os sintomas descritos abaixo. O curso clínico do lúpus é muito variável e pode ser caracterizado por períodos de remissões e recidivas. A doença pode piorar ou melhorar ao longo dos anos, e sintomas que nunca existiram podem surgir de uma hora para outra. A gravidade do lúpus depende de quais e quantos órgãos são afetados. Há também uma escala de gravidade em relação ao acometimento de um mesmo órgão, por exemplo, o lúpus pode causar lesões renais muito graves ou praticamente assintomáticas. Pacientes com  lesões graves de vários órgãos costumam apresentar um mau prognóstico. Já pacientes com  lesões leves e restritas a um ou poucos órgãos podem ter uma vida praticamente normal por décadas.

Sintomas do lúpus

1.Sintomas constitucionais

Chamamos de sintomas constitucionais o grupo de sinais e sintomas inespecíficos, que atingem vários sistemas do organismos e são comuns a várias doenças. A principal característica dos sintomas constitucionais é nos dar ideia de que há algo de errado com a saúde sem, todavia, indicar precisamente o origem do problema. O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença que habitualmente manifesta-se com sintomas constitucionais na sua fase inicial. Entre eles os mais comuns são:

  • Cansaço e a intolerância ao exercício – são sintomas extremamente comuns e acometem mais de 80% dos pacientes com lúpus;
  • Dor muscular e sensação de fraqueza.
  • Perda de peso – ocorre de forma não intencional  e geralmente está associada à perda do apetite.
  • Febre.

Sobre a febre vale a pena falarmos um pouco mais. A febre no lúpus pode ocorrer quando a doença está em atividade ou porque há uma infecção em curso. A febre própria do lúpus, ou seja, causada pela doença e não por uma infecção, costuma ser baixa e associada aos outros sintomas do lúpus que serão explicados ao longo do texto. Pacientes com lúpus apresentam maior susceptibilidade a doenças infecciosas, podendo a febre ser um sinal de infecção em andamento.

A febre causada por uma infecção costuma ser mais alta e associada a outros sintomas típicos, como, por exemplo, tosse e expectoração na pneumonia, rigidez de nuca na meningite, dor lombar nas infecções renais (pielonefrite), etc. Se o paciente já tem o diagnóstico de lúpus, é provável que ele esteja sob tratamento com anti-inflamatórios ou corticoides, medicamentos que diminuem a inflamação do lúpus e inibem a febre. Neste grupo de pacientes a presença de febre deve levantar a suspeita de uma infecção em curso, sendo pouco provável uma febre apenas por atividade da doença.

2. Alterações articulares

Aproximadamente 95% dos pacientes com lúpus apresentarão acometimento das articulações em algum momento da sua vida. As manifestações articulares mais comuns são a artralgia (dor nas articulações sem sinais inflamatórios) e a artrite (inflamação das articulações) e costumam estar presentes já nas fases inicias do lúpus.

A artrite no lúpus apresenta algumas características:

  • É uma poliartrite – acomete mais de quatro articulações ao mesmo tempo.
  • É uma artrite simétrica – costuma acometer ambos os joelhos, cotovelos, tornozelos e outras articulações simultaneamente.
  • É migratória – a inflamação de uma articulação pode desaparecer em apenas 24 horas e surgir em outra.
  • Não costuma causar deformidades graves nem cursa rigidez matinal prolongada, como na artrite reumatóide. A dor é desproporcional à aparência física das articulações.

3. Lesão dos rins

Até 75% dos pacientes com lúpus irão desenvolver alguma lesão renal durante o curso de sua doença. O achado mais comum é a perda de proteínas na urina, chamada de proteinúria, caracterizada por uma espumação excessiva da urina. Outros sinais e sintomas do acometimento renal pelo lúpus são:

  • Hematúria (sangue na urina), que pode ser ou não visível ao olho nu;
  • Elevação da creatinina sanguínea, um sinal de insuficiência renal;
  • Hipertensão.

O acometimento renal mais comum é a glomerulonefrite (lesão do glomérulo renal) causada pelos auto-anticorpos.Existem basicamente cinco tipos de glomerulonefrite pelo lúpus, reunidas pelo termo nefrite lúpica. São elas:

Nefrite lúpica classe I – Glomerulonefrite mesangial mínima Nefrite lúpica classe II – Glomerulonefrite proliferativa mesangial

Nefrite lúpica classe III – Glomerulonefrite proliferativa focal Nefrite lúpica classe IV – Glomerulonefrite proliferativa difusa Nefrite lúpica classe V – Glomerulonefrite membranosa

As classes III, IV e V são as mais graves, sendo a glomerulonefrite proliferativa difusa (classe IV) a que apresenta pior prognóstico. A glomerulonefrite mesangial mínima (classe I) é a mais branda.

A nefrite lúpica é classifica em classes porque cada uma dessas lesões apresenta prognóstico e tratamentos distintos. Por isso, a identificação de qual tipo de nefrite lúpica o paciente possui é de grande importância.

Apenas com os dados clínicos não é possível se estabelecer qual tipo de nefrite lúpica estamos lidando, já que proteinúria, hematúria e insuficiência renal são achados comuns nas nefrites tipo II, III,IV e V. Portanto, todo paciente com lúpus manifestando sinais de doença nos rins deve ser submetido à biópsia renal para se identificar qual tipo de lesão no glomérulo que os auto-anticorpos estão causando. É perfeitamente possível que um paciente apresente mais de uma classe de nefrite lúpica ao mesmo tempo.

As classes I e II não costumam necessitar de tratamento específico, porém, as classes III, IV e V como apresentam pior prognóstico e grande risco de insuficiência renal terminal, são normalmente tratadas com drogas imunossupressoras pesadas. As mais comuns são corticoides (cortisona), ciclofosfamida, ciclosporina, micofenolato mofetil e azatioprina. Os pacientes não tratados ou que não apresentam boa resposta às drogas, inevitavelmente acabam precisando de hemodiálise. 4. Lesões de pele

Rash Malar do Lúpus

Outro órgão muito freqüentemente acometido é a pele. Até 80% dos pacientes com lúpus apresentam algum tipo de envolvimento cutâneo, principalmente nas áreas expostas ao sol. As lesões típicas incluem o rash malar ou rash em asa de borboleta.

Trata-se de uma área avermelhada que encobre as bochechas e o nariz como pode ser visto na foto ao lado. O rash malar aparece em pelo menos 50% dos pacientes, costuma durar alguns dias e recorre sempre que há exposição solar. Exposição prolongada a luzes fluorescentes também pode desencadear lesões cutâneas.. Outra lesão dermatológica comum é o lúpus discóide, que se caracteriza por placas arredondadas e avermelhadas, mais comuns na face, pescoço e couro cabeludo. O lúpus discóide pode fazer parte do quadro do lúpus sistêmico, ou ser a única manifestação da doença. Neste último caso, o prognóstico é melhor, já que não há envolvimento de outros órgãos.

Lúpus Discóide

Pacientes com lúpus discoide isolado apresentam 10% de chance de evoluírem para o lúpus eritematoso sistêmico. Quanto mais numerosas forem as lesões discoides, maior o risco de evolução para outros órgãos. Outras lesões dermatológicas comuns são a perda de cabelo, que pode acometer não só o couro cabeludo, mas também sobrancelhas, cílios e barba.

Ulceras orais semelhantes às aftas são comuns, porém, com a diferença de serem normalmente indolores.

5. Anemia e outras alterações hematológicas

Os auto-anticorpos também podem atacar as células sanguíneas produzidas pela medula óssea. A alteração mais comum é a anemia, que ocorre não só pela destruição das hemácias, mas também pela inibição da produção na medula óssea. Outra alteração hematológica comum é a diminuição dos glóbulos brancos (leucócitos), chamada de leucopenia. O mecanismo é o mesmo da anemia, destruição e inibição da sua produção. Seguindo o mesmo raciocínio também podemos encontrar a redução do número de plaquetas, chamado de trombocitopenia.

Quando temos queda das três linhagens sanguíneas ao mesmo tempo (hemácias, leucócitos e plaquetas) damos o nome de pancitopenia. Estas alterações podem ser detectadas pelo exame de hemograma. Qualquer uma dessas alterações nas células do sangue pode ser fatal, seja por grave anemia , por infecções devido à baixa contagem de glóbulos brancos ou por sangramentos espontâneos devido à queda das plaquetas.

Aumento dos linfonodos e do baço também são um achado comum no lúpus e podem ser confundidos com linfoma.

6. Vasos sanguíneos

Os vasos sanguíneos, principalmente as artérias, também são frequentemente acometidos pelo lúpus. O fenômeno de Raynaud é uma alteração na coloração dos membros, geralmente mãos ou pés, causado por espasmos dos vasos sanguíneos.

O espasmo das artérias provoca uma súbita falta de sangue deixando a mão pálida. Se o espasmo persistir, a falta de sangue faz com que a mão que estava pálida comece a ficar arroxeada. Esta isquemia pode causar muita dor. Quando o espasmo desaparece, o rápido retorno do sangue deixa a pele quente e bem avermelhada.

O fenômeno de Raynaud não é exclusivo do lúpus e pode ocorrer mesmo em pessoas sem doença alguma diagnosticada. Frio, cigarro e cafeína podem ser gatilhos para esse sintoma. Outro problema vascular comum no lúpus é o surgimento de tromboses.

A síndrome do anticorpo antifosfolípide é uma doença que ocorre com frequência nos pacientes com lúpus e está associada à formação de múltiplos trombos, tanto nas artérias como nas veias, podendo levar a quadros de AVC, infarto renal, isquemia dos membros, trombose venosa das pernas e embolia pulmonar. Além das tromboses que ocorrem com a síndrome do anticorpo antifosfolípide, os auto-anticorpos do lúpus podem atacar os vasos sanguíneos diretamente, causando o que chamamos de vasculite.

A vasculite pode acometer qualquer vaso do corpo, podendo lesar pele, olhos, cérebro, rins… Para saber mais sobre vasculite.

7. Alterações oculares

Os olhos são outros órgãos freqüentemente afetados pelo lúpus. A manifestação mais comum é a ceratoconjuntivite sicca, conhecida também como síndrome do olho seco, muito comum na doença de Sjögren, mas que pode ser também um sintoma de lúpus.

Outros sintomas do lúpus relacionado à visão são a vasculite da retina, uveíte anterior (inflamação da íris, parte colorida dos olhos) e a episclerite (inflamação da esclera, parte branca dos olhos).

8. Alterações neurológicas

O lúpus pode cursar com síndromes neurológicas e psiquiátricas. As lesões neurológicas ocorrem por tromboses e vasculites, que acabam por provocar AVC. Alterações psiquiátricas também podem ocorrer devido ao lúpus. As mais comuns são a psicose, onde o paciente começa a ter pensamentos bizarros e alucinações, e a demência, com perda progressiva da memória e da capacidade de efetuar tarefas simples.

9. Alterações pulmonares

O pulmão e a pleura também são órgãos susceptíveis ao lúpus. Derrame, pneumonite, doença intersticial pulmonar, hipertensão pulmonar e hemorragia alveolar são as manifestações pulmonares mais comuns. Como explicado acima, a embolia pulmonar é uma complicação que pode surgir em pacientes com anticorpos antifosfolípides.

10. Alterações cardíacas

Doenças cardíacas são comuns entre pacientes com lúpus eritematoso sistêmico. O envolvimento cardíaco pode se manifestar como:

  • Doença valvular, na maioria das vezes como uma regurgitação mitral leve;
  • Endocardite (inflamação das válvulas cardíacas) não infecciosa, chamada de endocardite de Libman-Sacks;
  • Doença do pericárdio (fina membrana que envolve o coração). A manifestação mais comum é a pericardite, inflamação do pericárdio.
  • Doença da artéria coronária;
  • Miocardite, inflamação do músculo cardíaco, que pode levar à insuficiência cardíaca.

Fonte: Labclinicas – Vanessa Pires